Pular para o conteúdo principal

AGONIA ANIMAL: ZOO DO RJ SOFRE COM A FALTA DE MANUTENÇÃO E RECURSOS

A Revista Veja Rio fez uma reportagem sobre o estado que se encontra o Zoológico do RJ.
A entrada imponente do Jardim Zoológico do Rio, que dá acesso à alameda margeada por palmeiras-imperiais, por si só é capaz de deslumbrar os visitantes. Localizado no Parque da Quinta da Boa Vista, antiga residência da família real, o zoo carioca, fundado em 1945, reúne uma combinação única de história e natureza. Com essas credenciais, a expectativa em torno dos seus atrativos é grande. Mas basta atravessar o majestoso portão para a frustração tomar conta do passeio. Jaulas sem placas de identificação, recintos ociosos cobertos de mato, áreas interditadas e instalações em péssimo estado são problemas flagrantes. Em relação aos bichos, não é preciso ser especialista para atestar o comportamento estranho de certas espécies, que ora demonstram apatia, ora passam o tempo fazendo movimentos repetidos. "Nosso parque ainda obedece à configuração antiga, com jaulas pequenas, da época em que essas instituições serviam apenas à exibição dos bichos", reconhece o diretor Luiz Paulo Fedullo. "É complicado mudar esse quadro, porque nos falta espaço."
As carências da Fundação Rio Zoo, vinculada à prefeitura, vêm de longa data. A cada mudança de administração, os planos de revitalização são retomados, mas esbarram em outro ponto crucial: a falta de verba. Seu orçamento mensal é de 1,2 milhão de reais, sendo que 30% vêm da bilheteria e o restante de repasses dos royalties de petróleo e da prefeitura. Uma verba insuficiente e que cobre apenas os gastos com manutenção. Pelos cálculos da atual gestão, a receita ideal teria de girar em torno de 20 milhões de reais por ano, acréscimo que cobriria reformas e ampliações. Há pelo menos vinte anos o zoo negocia sem sucesso com os governos federal e estadual a cessão de um terreno vizinho, onde funcionava um estande de tiro do Exército. Com isso, sua área total dobraria, chegando a 280 000 metros quadrados, tamanho mais apropriado para abrigar o plantel de 2 700 animais, responsáveis pelo consumo de 2 toneladas de alimentos por dia, e os 130 funcionários, entre veterinários, biólogos e tratadores.
A ampliação aproximaria o zoo de similares que adotaram um modelo moderno, deixando de ser meras vitrines de bichos e transformando-se em centros de pesquisa e preservação. Tal mudança exige a construção de recintos maiores e semelhantes ao habitat dos animais. As grades são abolidas e várias espécies podem ser observadas em liberdade por visitantes que percorrem trilhas. Temos aqui no país bons exemplos dessa adaptação, como os parques de São Paulo e Belo Horizonte. No Rio, a metamorfose contribuiria para o bem-estar da bicharada, em especial dos que já chegaram ao local com distúrbios de comportamento. O exemplo mais chocante é o do urso-pardo Zé Colmeia, que vivia num circo em uma jaula de 3 metros quadrados. O movimento contínuo de andar para a frente e para trás e balançar a cabeça é resultado dos anos de confinamento inadequado. Na área reservada aos primatas, falta o que os especialistas chamam de enriquecimento ambiental, ou seja, elementos para os inquilinos se exercitarem. "É importante que o bicho não fique ocioso", explica Luiz Pires, presidente da Sociedade de Zoológicos do Brasil.
A falta de espaço que aflige o parque do Rio é uma questão complexa de resolver, pois depende da iniciativa de instâncias superiores. Mas os problemas de conservação visíveis em todo o complexo (veja o quadro) certamente poderiam ser sanados com mais rapidez. A falta de placas de identificação, por exemplo, compromete uma das funções primordiais de um zoológico, que é transmitir conhecimento e, assim, educar. Há planos para trocar toda a sinalização ainda neste ano e triplicar o número de empresas que adotam animais. Seria um bom começo. Hoje são apenas dezessete apoiadores, com doação média de 500 reais cada um.



Embora não sejam exatamente parques de diversões, os zoológicos precisam ter áreas de lazer e gastronomia bem estruturadas para receber os visitantes. No complexo do Rio, além de haver poucas opções nesse setor, a decadência salta aos olhos. O descuido chega ao ponto de uma carrocinha de cachorro-quente funcionar ligada toscamente em um poste de luz. Mais uma vez, a direção garante que essa situação deve ser resolvida em breve, com a realização de uma licitação para apontar os novos concessionários de bares e quiosques. A entidade busca na Justiça a reintegração de posse desses espaços, hoje explorados por uma empresa que está inadimplente. Uma concorrência deve selecionar também quem vai explorar a loja de suvenires, fechada faz tempo.
Historicamente, os zoos brasileiros sempre se mantiveram de pé com dificuldades. O primeiro que entrou em funcionamento no país foi fundado pelo barão de Drummond no bairro de Vila Isabel, em 1888. Com o passar dos anos e a dívida galopante, ele buscou alternativas de arrecadação. Drummond inventou então o jogo do bicho, que perdeu sua finalidade inicial e hoje se presta a propósitos nada edificantes. Mesmo com a receita extra, o parque fechou em 1940. Diante do cenário atual, de visível penúria, seus visitantes torcem para que o complexo da Quinta da Boa Vista tenha um destino melhor.


Fonte: Veja Rio

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

'A FAZENDA' THIAGO GAGLIASSO VOLTA A BATER NAS CABRAS - OUTRA PUNIÇÃO

Abaixo trechos onde fica explícito o desprezo, o abuso e o desrespeito pelos animais. Olha uma de suas frases:
- não posso te agredir, mas, posso te agredir verbalmente....
No final da votação, debochando, ele se dirige "aos criadores de cabra" pedindo desculpas e avisa que amanhã teria uma reunião com todas elas.
O diretor do programa disse, em entrevista, que agressão aos animais daria expulsão. O que falta além da confissão do tal participante? Será que é porque o Thiago já veio marcado para ganhar por ser cunhado do auditor do referido programa? Quem falou foi ele mesmo, gente!

Fonte: O Grito do Bicho
Voltar ao Blog do Orion de Sá

ERGONOMIA - CADEIRA DE RODAS PARA CÃES AMIGO

Nir Shalom, um designer industrial israelense, criou esse cadeira de rodas que permite que o cão tenha mais liberdade em seus movimentos, além de mais conforto. Apresentada no mês passado em Milão. A cadeira se encaixa no quadril do cão e permite que ele consiga se deitar, correr e sentar.
Voltar ao Blog do Orion de Sá

DIGA NÃO A LEGALIZAÇÃO DA CAÇA! DIGA NÃO AO RETROCESSO!

Recentemente estamos vivendo no nosso país uma série de retrocessos, que vão contra toda a luta pelos direitos dos animais até hoje. Proibida desde 1967, a caça de animais silvestres na verdade, nunca deixou de existir no Brasil e esse é um dos principais fatores que levam à extinção de várias espécies ameaçadas. Mas um projeto tramita na Câmara dos Deputados prevê a regulamentação do exercício de caça no país. Trata-se do Projeto de Lei 6268/16 de autoria do deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), membro da bancada ruralista. O projeto anula a Lei de Proteção à Fauna (Lei 5.197/67), que proíbe o exercício da caça profissional. Defensores do projeto de lei justificam que é preciso conter algumas espécies, pois são consideradas invasoras e oferecem perigos ao ecossistema. O projeto de lei também retira da Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98) o agravamento até o triplo da pena de detenção de seis meses a um ano, e multa, por matar, perseguir, caçar, apanhar ou utilizar animais sem licenç…