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MAUS-TRATOS A ANIMAIS PODEM ESTAR LIGADOS A CASOS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Alguém que maltrata um animal pode fazer o mesmo com seus parentes mais próximos. Casos de violência contra bichos de estimação podem esconder agressões dentro de casa, segundo o veterinário e especialista em comportamento animal Mauro Lantzman, professor do curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Lantzman diz que há estudos que relacionam maldades feitas contra animais com casos de psicopatia. Além disso, segundo ele, alguns bichos têm dificuldade para se recuperar após sofrer uma agressão.

Veja trechos da entrevista com o professor Lantzman:

O que pode ser considerado maus-tratos de animais?
Os maus-tratos podem aparecer de várias formas. Primeiro, temos aqueles que são passíveis de serem identificados porque são agressões físicas visíveis, como queimaduras, pauladas, facadas. Às vezes, esses animais são submetidos a agressões relacionadas a rituais religiosos e, nesse caso, podemos encontrar coisas grotescas. Há também as rinhas, que são um tipo de maus-tratos validado por determinado grupo social. Em países com guerrilhas, como a Colômbia, há relatos de que paramilitares fazem com que crianças batam em animais para dessensibilizá-las e poder utilizá-las na guerrilha.

Existe alguma relação entre a saúde psicológica de uma pessoa e os casos de maus-tratos a animais?
Já se sabe que quando crianças manifestam algum tipo de crueldade contra animais isso pode ser um indicativo de que o indivíduo possa se tornar um psicopata. E tem outra situação muito delicada: se um cachorro está apanhando em casa, isso pode ser um indicativo de violência domiciliar. Uma pessoa que bate em um animal na sua própria casa é potencialmente um agressor. E é preciso de um cuidado especial para o veterinário tratar isso. Acho até que falta esse tipo de orientação para o veterinário. Ele tem que saber que, ao atender um caso em que um animal foi agredido, uma mulher ou uma criança também podem estar sendo vítimas.

Quais as consequências de casos de maus-tratos na vida dos animais?
Os animais desenvolvem comportamentos relacionados a esses problemas, desde coisas físicas, como lesões e machucados, até reações comportamentais. O animal pode se tonar mais medroso, pode ter uma crise de stress, pode ter dificuldade de se relacionar com humanos de novo. E, dependendo do impacto, esse trauma pode ser irreversível.


Veja este artigo:

VIOLÊNCIA CONTRA ANIMAIS E VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: EXISTE RELAÇÃO?

Qual a relação entre maus-tratos e crueldades para com os animais e a violência doméstica? Existe um elo entre eles? Não é de hoje que pesquisas comprovam a ligação entre a violência doméstica e a violência contra os animais de estimação, esta última servindo como sinal de alerta para a possível existência da violência contra seres humanos mais fragilizados no contexto familiar, como no caso de crianças, idosos e mulheres. Mas também a crueldade contra os animais está presente como uma característica comum nos registros de estupradores e asssassinos em série. O abuso contra animais aparece de forma clara nas histórias de pessoas com comportamento violento (FBI. 1998, Alan Bantley, 1996).
A violência doméstica, muitas vezes, começa com o abuso ou maus-tratos de animais. Dessa forma cientistas e órgãos de execução penal norte-americanos passaram a encarar crueldade contra animais como grave problema humano, diretamente relacionado à violência doméstica, abusos contra crianças, idosos e outros crimes violentos, se tornando um meio eficaz de romper o ciclo de violência doméstica de uma geração para a outra (Associação Internacional dos Chefes de Polícia, 2000).
Na Filadélfia (EUA) uma criança de 4 anos foi espancada até a morte em janeiro de 1999. Mas as autoridades de controle de cães e gatos já haviam estado no local, meses antes, devido a denúncias de crueldade com o cão da família, feitas por vizinhos. Esse caso, entre centenas de outros, é um exemplo de como os serviços de controle de zoonoses e de controle de populações de cães e gatos, em parceria com os profissionais médicos veterinários, podem auxiliar os órgãos competentes a diagnosticar a violência doméstica (Phl Arkow, 2004).
Em pesquisa realizada por DeViney. Dickert & Lockwood, 1983, abusos contra animais aconteceram em 88% das famílias em que ocorreram casos de abusos contra crianças. Segundo Groves, 2004, entre 45% a 60% dos lares, com violência doméstica apresentam maior risco de abuso contra crianças.
Tanto as crianças, como os animais são vítimas de violência doméstica, muitas vezes vítimas invisíveis. Como o abuso contra o animal é um indicador de um lar caótico, no qual a segurança das crianças esta em risco, tal abuso deve ser percebido e documentado, da mesma forma que um problema de bem-estar humano, e ser redefinido, também, como violência doméstica. Por sua vez, a comunidade deve ser treinada para reconhecer e denunciar as formas desta violência.
Por fim, a crueldade contra os animais não deve ser ignorada, mas encadada como a manifestação da agressividade latente, pois pode mostrar sinais de um comportamento futuro violento contra humanos. “Quando animais sofrem abusos, as pessoas estão em perigo. Quando as pessoas sofrem abusos, os animais estão em perigo”. Associação Internacional dos Chefes de Polícia, 2000.

(A autora, Rita de Cassia Garcia, é da assessoria técnica da Coordenadoria de Controle de Doenças - SES-SP - * texto escrito a partir de informação passadas durante a apresentação de Phil Arkow, no Simpósio de Polícias, em 2004, em São Paulo)

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