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Nestlé anuncia que não vai mais comprar de fornecedores que impõem sofrimento a animais

Cerca de 7.300 empresas terão que se adequar a novas práticas de criação e abate

A Nestlé, uma das maiores companhias de alimentação do mundo, está adotando uma política de bem-estar animal que vai afetar 7.300 de seus fornecedores em todo o globo, além das empresas que abastecem esses fornecedores.

Pacote de cereais feitos de nuggets de frango da Nestlé:
fornecedores terão que criar galinhas fora de gaiolas
Simon Dawson / Bloomberg/11-2-2014
A medida é um dos mais amplos compromissos adotados para melhorar a qualidade de vida de animais no sistema de alimentos. Ela deverá ter impacto em outras companhias que dividem os mesmos fornecedores ou concorrem com a Nestlé. A iniciativa também marca a primeira parceria entre uma grande companhia de alimentação e uma ONG de defesa de animais.

— No mundo digital, cada um possui um smartphone, e todos querem saber as origens das coisas e repartir essa informação — disse Kevin Petrie, gestor-chefe de contratos da Nestlé para a América do Norte. — É bom para mim? A qualidade é boa? Foi originado de forma responsável?

A nova política, segundo ele, foi um passo a mais nos esforços da Nestlé para lidar com os riscos em suas cadeias de fornecimento, tais como trabalho infantil e óleo de palma, cuja produção vem destruindo as florestas. Estas preocupações que estão detalhadas no Código do Fornecedor da Nestlé.

O compromisso com o bem-estar animal, que foi anexado ao código da empresa como um apêndice, será implementado gradativamente, segundo o documento. O objetivo é estabelecer um processo de melhoria contínua. Num primeiro momento, a Nestlé vai estabelecer com seus fornecedores um método de acompanhamento da gestão dessas cadeias para estabelecer o estado atual do tratamento dos animais. A companhia também se compromete a ajudar a desenhar as mudanças junto com os fornecedores. O documento não menciona o prazo de implementação dessas medidas.

Segundo Petrie, os consumidores de hoje sabem bem mais sobre como os componentes de seus alimentos são preparados — e eles estão mais dispostos a repartir esse conhecimento para gerar uma onda na mídia social. Sob pressão de grupos defensores do bem-estar animal, muitas redes conhecidas de restaurantes e empresas de alimentação deram prazos a seus fornecedores de carne, ovos e produtos lácteos para eliminarem práticas que ativistas e alguns consumidores consideram danosas ao bem-estar animal.

TENDÊNCIA GERAL

A Burger King, por exemplo, anunciou que até 2015 todos os ovos que utiliza virão de galinhas criadas fora de gaiolas e que só usará suínos cujos produtores documentem seus projetos para eliminar baias de gestão em determinado prazo. McDonald’s, General Mills, Quiznos e outros grupos adotaram planos similares, em muitos casos dando a seus fornecedores em média dez anos para se adequarem.

Sob seus novos padrões, a Nestlé não vai mais comprar produtos provenientes de porcos criados em baias de gestação, galinhas em gaiolas de granja, gado que tenha sido descornado ou tenha tido suas caudas arrancadas sem anestesia e animais cuja saúde tenha sido afetada por drogas que aceleram o crescimento.

O compromisso dos fornecedores será monitorada pela SGS, firma especializada em inspeções. E esta será, por sua vez, supervisionada pela ONG ativista World Animal Protection (Proteção Animal Mundial). A ONG, que vem trabalhando há mais 50 anos com governos, comunidades e agências internacionais para melhorar o bem-estar de animais, aprovou a iniciativa, segundo o site da Nestlé:

“Nossa decisão de trabalhar com a Nestlé é baseada no claro compromisso da empresa para melhorar o bem-estar animal e o efeito duradouro que isso poderá ter sobre milhões de animais de fazenda em todo o mundo”, afirmou Mike Baker, diretor executivo da organização.


Fonte: O Globo

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