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Novos projetos, que somam R$ 1,7 bilhão, só vão tratar parte do esgoto lançado na Baía

Investimentos permitem que o estado consiga tratar somente 80% do que constava no planejamento de 1994

Em busca de alimentos, bando de fragatas sobrevoa a baía
(Custódio Coimbra / Agência O Globo)
RIO — A traineira aporta em Paquetá. Um a um, os tripulantes desembarcam, resignados. O dia não rendeu bons estoques de sardinha, tainha ou robalo. Rafael Passos da Silva, de 22 anos, conta que as águas turvas da Baía de Guanabara frequentemente tornam inútil sair com o barco. Períodos de bonança têm sido cada vez mais raros, ele afirma, e a poluição é a principal vilã. Rafael precisará ter mais paciência para ver o mar, enfim, numa situação melhor. Com as falhas do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG), autoridades renovam promessas, cifras e índices de saneamento.
Somados, os projetos sucessores do PDBG somam R$ 1,77 bilhão e prometem ampliar o percentual de esgoto tratado no entorno da baía — passando dos atuais seis mil litros por segundo para cerca de nove mil — até março de 2017. Num cálculo otimista, o Rio terá aplicado, ao longo de 23 anos, R$ 4,5 bilhões em saneamento da baía, mas mesmo assim estará longe de atingir a metade do programa. Com os novos investimentos, o estado só conseguirá tratar 80% do que constava no planejamento de 1994.
“Filho” do PDBG, o Programa de Saneamento dos Municípios do Entorno da Baía, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento, é a principal aposta do governo do estado para recuperar o tempo desperdiçado. Está prevista a construção de uma rede de esgotamento sanitário em Alcântara (São Gonçalo) — as obras devem começar em setembro — e de um tronco coletor na Cidade Nova, no Rio, para mandar os dejetos gerados por seis barros à estação Alegria, no Caju. Também está no horizonte o término dos tubulações da estação Pavuna, em Vigário Geral.
Mesmo com as duas estações de São Gonçalo em funcionamento — a promessa é de reinaugurar a unidade vizinha ao piscinão em 90 dias —, o saneamento do município não estará solucionado.
— São Gonçalo foi seccionado em cinco bacias. O projeto do PDBG abrangia apenas uma delas, a do Rio Imboaçu, que corta o Centro da cidade, onde vivem cerca de 300 mil pessoas — recorda o engenheiro Francisco Filardi, executivo do PDBG entre 1995 e 1998.
Resolver definitivamente o passivo da poluição na baía parece realidade distante. A engenheira química Dora Negreiros, presidente do Instituto Baía de Guanabara, lamenta o tempo perdido:
— Não há mistério: tem que fazer tratamento de esgoto e acabar com a instalação de unidades de tratamento na foz de rios. É jogar dinheiro fora.

MARINA TERÁ QUE PASSAR POR NOVA OBRA

Filardi cita o exemplo da Marina da Glória, que recebeu uma obra de arco de cintura. Segundo ele, sobraram US$ 50 milhões do empréstimo do BID.
— Lá atrás, o banco aceitou que usássemos uma parte dessa verba em três projetos. Um deles foi a construção de um arco de cintura da Marina da Glória ao Aeroporto Santos Dumont, para captar esgoto do Centro — contou.
Mas uma nova obra será feita na região por causa do lançamento de esgoto. Há 15 dias, a situação constrangeu delegações internacionais de vela durante o primeiro evento-teste das Olimpíadas.
O presidente da Cedae, Wagner Victer, confirma que um novo projeto, no valor de R$ 14,8 milhões (recursos estaduais), visa a construir uma galeria e uma elevatória na Rua do Russel para bombear o esgoto para o emissário de Ipanema.
O caso não é isolado. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), há 20 obras que estavam no PDBG, não saíram do papel e acabaram na lista do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. Divididas em dez contratos, elas somam R$ 310 milhões e estão sendo tocadas pela Secretaria estadual de Obras. Só para botar a antiga estação de São Gonçalo em operação e melhorar a rede de água do município, o PAC destinou R$ 122 milhões. Outros R$ 58 milhões são para implantar redes de água em Nova Iguaçu, não executadas pelo PDBG.
Mas há ainda o “complemento do complemento”. Há obras do PDBG incluídas no PAC que não foram executadas de uma vez só. A Secretaria de Obras diz que fará nova licitação para a complementação da reforma e adaptação da Estação de Tratamento de Água do Guandu, em Nova Iguaçu.

Fonte: O Globo

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