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Argentina usa adestramento de cães para reabilitar presos

O Serviço Penitenciário Federal argentino está usando o adestramento de cães como ferramenta de reinserção de presos na sociedade.


Programa de adestramento foi inspirado em projeto americano
O programa é destinado a que presos cumprindo o final da pena, sob o argumento de que a relação com o animal possa lhes prover uma espécie de ajuda emocional e possibilidades no mercado de trabalho. 

Chamado "Huellas de Esperanza" (pegadas da esperança, em tradução livre), o programa começou a ser implementado em 2011. No ano passado, foi levado à unidade prisional que inclui mulheres argentinas e estrangeiras, geralmente condenadas por terem sido flagradas como "mulas" de traficantes de drogas, diz à BBC Brasil o coordenador do programa, Julio Cepeda.

Ele trabalhou durante mais de 30 anos no serviço penitenciário argentino e inspirou-se em um programa de uma freira americana para reunir psicólogos, assistentes sociais, veterinários e adestradores na iniciativa que começou no presidio de Ezeiza, em Buenos Aires, e deverá ser levada aos demais presídios do país.

"Hoje, nosso programa atende àqueles que estão perto de deixar a prisão e que voluntariamente aceitaram a proposta de adestrar os cães", explica Cepeda.

Ele conta que os primeiros três animais adestrados foram doados no mês passado a pessoas com deficiência motora. "Os animais continuam sendo do Serviço Penitenciário e, se for constatado que não estão sendo bem cuidados, nós os retiraremos das pessoas beneficiadas."

Doze detentos homens e 18 mulheres já trabalharam no adestramento de cães de raça recomendados para pessoas com limitações físicas. Todos passaram primeiro por um teste para saber se, por exemplo, gostam de animais e os tratarão bem, segundo a assessoria de imprensa do Serviço Penitenciário.

"Nosso objetivo é que exista violência zero contra o animal e que o preso saia com uma alternativa de trabalho (no adestramento ou em pet shops), como já ocorreu com alguns deles que hoje estão livres e encontraram no trabalho de adestramento de cães e gatos a forma de reinserção social", diz Cepeda.

Estrangeiras

Entre as mulheres, nenhuma argentina se interessou até agora pelo programa, afirmou. Presas da Tailândia, Espanha, África do Sul, Colômbia e de outros países que cumprem pena no presidio federal aderiram à proposta.

"Uma delas, da África do Sul, cumpriu dois anos de prisão na Argentina, aprendeu a adestrar os animais e hoje faz o mesmo trabalho no presídio do país dela, onde termina de cumprir a pena", conta Cepeda.

Cães adestrados foram doados a pessoas com deficiências físicas
O adestramento dos cães dura de um ano e meio a dois anos, dependendo do comportamento do animal, segundo os especialistas. No caso da sul-africana, ela passou dois anos na Argentina antes de ser extraditada para o país dela. "Ela tem dois filhos que estão sendo educados pela mãe dela. O adestramento é também importante para a questão emocional", prossegue Cepeda.

A Argentina, afirma, é o primeiro país da América Latina a implementar a iniciativa em âmbito federal. "Entendemos que esta alternativa é uma forma de ajudar o detento e reduzir a violência", disse.


'Prison dog'

Recentemente, a freira americana Paulina Quinn, apontada como pioneira desta ideia criada em 1981, esteve em Buenos Aires para dar palestras para os profissionais e os presos envolvidos no programa. Ela contou sua própria experiência após ter sido vítima de violência e ter encontrado no adestramento uma saída para sua vida. Ela coordena o programa chamado "Prison Dog Project" (projeto cães de prisão).

"Meu pai foi prisioneiro de guerra e nunca superou o trauma. Fui criada em uma casa com muita violência, fugi e passei por 14 instituições juvenis, onde fui torturada. Um dia, morando na rua, ganhei um cachorro e passei a adotar outros e fui vendo como eles me ajudaram a perder o medo, a viver melhor e passar a andar de cabeça erguida", disse Quinn ao jornal argentino La Nación.

Ao mesmo jornal uma presidiária identificada como Jesica contou que está adestrando uma cachorra chamada Paz. "A presença dela (Paz) evita que eu me sinta sozinha. Além disso, existem horários, regras e isto me ajuda. É bom também saber que depois ela ajudará alguém", declarou.

Cepeda explica que, para que não sofram no momento da separação do animal, as detentas contam com a ajuda psicológica. A psicóloga Daniela Igartua, que faz parte da equipe, disse à agência estatal de notícias Télam que a hora da entrega do animal não é fácil para os presos.

"É difícil. Mas nós conversamos muito e explicamos que o cachorro estará com alguém que precisa dessa ajuda (por ter limitações físicas)", disse Igartua.

Fonte: BBC Brasil

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