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Minha História: Vou aposentar meu cão-guia



Davi Ribeiro/ Folhapress
Logo que eu peguei o Simon, fui avisado de que como qualquer animal, ele envelheceria, poderia ficar doente e se alcançasse os dez anos, deveria se aposentar. E essa hora chegou, infelizmente.

Nasci com baixíssima visão e, por volta dos 12 anos, perdi a pouca que tinha. Aprendi a usar a bengala e sempre me virei bem com ela. Mas, quando o Simon chegou, a minha independência aumentou consideravelmente. 
Enquanto com a bengala eu precisava tocar nas barreiras para então desviar delas, com o cão eu nem as sinto.

Para o Simon chegar até mim tive que passar por uma bateria de entrevistas. Da inscrição até efetivamente buscá-lo foram oito meses. Foi relativamente rápido, porque hoje a fila de espera por um cão-guia chega a cinco mil pessoas.

O Instituto Iris custeou minha ida aos Estados Unidos. Eles são parceiros do Leader Dog for the Blind, uma escola de treinamento de cães localizada em Rochester Hills, no Michigan. Lá passei um mês aprendendo, entre tantas coisas, os 80 comandos que uso com o Simon. Todos em inglês. As brincadeiras, a hora do lazer e o carinho são dados em português, mesmo.

Nossa completa adaptação durou um ano. É igualzinho a um casamento: primeiro você conhece, depois conquista e enfim aprende a conviver. Só não tem as brigas. Ele tem a minha total confiança, e em troca ele entrega os olhos e a atenção para mim. Com o Simon, cursei Ciências Sociais. Costumo brincar que ele é o primeiro cão-guia sociólogo do Brasil.

Viajamos diariamente de Jundiaí, onde moro, para São Paulo, onde trabalho na Laramara. Já fomos para Argentina, México, Uruguai, Paraguai, Portugal e Espanha. O Simon tem uma saúde de ferro. Poucas foram as vezes que ficou em casa, sem trabalhar.

Uma vez, o Simon prendeu a patinha na escada rolante do metrô. Deve ter doído muito. Mas ele não permitiu que eu tocasse nela e verificasse o que tinha ocorrido. Só me deixou tocar quando cheguei seguro ao meu local de trabalho.

Também lembro do dia em que Simon mudou o caminho que fazíamos rotineiramente. Achei que algo o distraia. Ainda bem que ele estava lá. Uma pessoa me avisou que do outro lado havia uma enorme cratera por causa de uma obra na rua.

Outra situação marcante foi quando ele encontrou sem dificuldade nenhuma a entrada do prédio de um consultório médico que eu não ia há 4 anos. Achei inacreditável. Ô cãozinho esperto!

Eu tento não pensar muito como será minha vida sem ele. É um sentimento muito forte de perda. Nossa ligação sempre foi muito intensa, quase telepática. Mas não dá mais. O Simon tem apresentado sinais de cansaço. Não está aguentando mais a minha rotina.

Optei em continuar com ele após a aposentadoria. Minha família tem condições de criá-lo e eu preciso retribuir toda a dedicação que ele teve comigo ao longo desses oito anos. Agora, ele vai relaxar e curtir o restante da vida, já que um labrador vive em média até os 14 anos.

Meu grande amigo, 24 horas ao meu lado, sempre fazendo das minhas longas caminhadas momentos mais agradáveis. Chegou a hora.

O último percurso que faremos juntos será nesta sexta-feira, dia 12 de setembro. Sigo para os Estados Unidos novamente, onde buscarei meu novo cão-guia.

Não sei sua cor, raça, nome. Simon me guiará até o aeroporto e já fica no Brasil como cão aposentado.

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